quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Algo interessante sobre os Bastos - família do meu pai


O Clã dos Bastos


Na grande Serra de Uruburetama nos dilatados anos de 1721, dois irmãos, Francisco Pinheiro Bastos e Domingos Teixeira Bastos, guiados por um velho índio da raça dos Guanacés, lhes indicou haver um fértil vale de águas abundantes incrostado nas fraldas da serra. E se estabeleceram nas cabeceiras do rio Caxitoré onde fundaram o povoado de Santa Cruz de Uruburetama. Ambos portugueses do Minho, de Conselho dos Bastos, norte de Portugal.
E sob o sígno da cruz nos cumes elevados a querer tocar os céus. Fundaram o primeiro comércio de víveres e algodão e o povoado se consolidou se elevando à categoria de vila.


Francisco Pinheiro Bastos contraiu núpcias com uma índia convertida ao cristianismo dando orígem a linhagem dos Bastos em terras brasileiras, posteriormente seu irmão contraiu matrimônio com uma de suas sobrinhas, interligando seu sangue cogênere, que viria a constituir o poderoso clã serrano.

Durante mais de dois séculos os Bastos casaram e se interligavam entre si, ampliando suas terras e posses, formando um poderoso clã consanguínio e o mais poderoso clã do norte do Ceará.


Os primeiros indícios da passagem dos colonizadores portugueses pela região do atual Município de Itapajé, na Serra de Uruburetama, datam de 1607, quando os jesuítas Francisco Pinto e Luís Filgueira, que atravessavam a Ibiapaba no percurso entre Recife e Maranhão, cruzaram o vale. Durante esta passagem, a região recebeu sua primeira denominação – Vale do São Francisco, devido ao vislumbre de um colosso de pedra cujo perfil lembrava o de um frade, hoje denominado de Frade de Pedra, cartão postal do Município. A região era habitada pelos índios Guanacés, nativos de índole hostil e forte agressividade. Isso talvez explique o grande hiato entre este primeiro contato dos jesuítas e a efetiva ocupação daquele território, iniciada apenas em 1721, com a chegada dos comerciantes portugueses Francisco Pinheiro Bastos e Domingos Teixeira Bastos, este último tido como o primeiro proprietário de terras da região, tendo obtido uma sesmaria, próximo ao Rio Caxitoré, do capitão-mor da província de Pernambuco. Na primeira metade do século XVIII, o Frei Vidal da Penha percorria a Serra de Uruburetama, marcando algumas paisagens com um cruzeiro de madeira, os quais contribuíram para o surgimento de agrupamentos humanos. Dentre esses agrupamentos surgiu o povoado de Santa Cruz de Uruburetama, em cujo cemitério foi edificada uma capela (Capela do Rosário) em 1725. Em 1837, proprietários fizeram uma doação de terras para a construção de uma nova capela, no local onde fora entronizado o cruzeiro pelo Frei Vidal da Penha, consagrando-a à Nossa Senhora da Penha, padroeira do povoado, que em 1842 tornou-se freguesia através de pela Lei Provincial. O fundador Francisco Pinheiro Bastos estabeleceu o primeiro comércio de víveres e algodão e o povoado passou a se consolidar e foi elevado à categoria de vila em 1849, sendo denominada de Santa Cruz de Uruburetama. Santa Cruz de Uruburetama foi, então, a primeira sede do Município de Itapajé, criado no mesmo ano de 1849. Entretanto, outro agrupamento humano surgido no vale do Riacho São Francisco e denominado de Arraial de São Francisco passou a se desenvolver mais rapidamente e exercer concorrência com Santa Cruz . Os primeiros fundadores do núcleo São Francisco lá se estabeleceram a partir de 1839. Em 1872 foi construída a capela de São Francisco de Assis, pelo padre José Tomás. Localizado estrategicamente no entroncamento de dois cursos d’água - riachoa São Francisco e da Raposa, além de ter-se estabelecido às margens da estrada que escoava a produção de algodão de Sobral (antiga fazenda Caiçara) para Fortaleza, atual BR-222, o núcleo urbano de São Francisco cresceu em importância. Passou a provocar o êxodo populacional de Santa Cruz de Uruburetama, até que em 1859 a sede do município foi transferida desta para a vila de São Francisco de Uruburetama, elevada à categoria de cidade em 1926.
O município, desmembrado de terras de Fortaleza, Canindé e Itapipoca em meados do século XIX, foi suprimido pela Revolução de 30, passando a vila a pertencer ao Município de Uruburetama. Em 1933, o município é restaurado, o núcleo urbano reassume a categoria de vila e em 1938 reconquista sua condição de cidade com o nome de Itapajé, que segundo a língua indígena significa “sacerdote de pedra”, ou “Frade de Pedra”. Itapajé participou ativa e destacadamente da história do Ceará e do Brasil em dois momentos relevantes: o primeiro, em 1824, quando participou da Confederação do Equador e o segundo em 1883, quando declarou a libertação dos escravos em 1883, logo após Redenção. Seus filhos ilustres foram o tenente - coronel Filipe de Araújo Sampaio, o escritor e bacharel José Quintino Cunha, a escritora Alba Valdez, o jornalista e deputado federal Virgílio Brígido e o Bispo Dom Vicente de Paula Araújo Matos.
Uma Evolução urbanaApós a transferência da sede municipal para o núcleo de São Francisco, este teve acentuado desenvolvimento urbano a partir da segunda metade do século XIX, principalmente após a chegada de negociantes de víveres e algodão. O núcleo original surgiu às margens da antiga estrada de boiada que seguia paralela aos riachos São Francisco e da Raposa, ligando as cidades de Fortaleza e Sobral, posteriormente BR-222. A cidade surgiu, então, entre o entroncamento dos dois cursos d’água acima citados e da referida estrada. A consolidação do núcleo urbano de Itapajé coincide com o próspero ciclo do algodão no Ceará, que era nativo do município e comercializado em larga escala. O algodão foi tão presente na história da evolução urbana de Itapajé que, antes da construção da primeira capela, missas eram celebradas nas bulandeiras – casas de descaroçar algodão. A partir da segunda metade do século XIX, com a guerra civil norte-americana e o aumento da demanda pelo produto, Itapajé passa por um período de prosperidade econômica. Em 1896, Itapajé já contava com equipamentos importantes como a Cadeia Pública, as linhas telegráficas e, principalmente, diversas usinas de algodão. A sociedade aristocrática da vila organizou, por essa época, a primeira Festa do Chitão, evento tradicional da cidade. Durante os áureos tempos do algodão, a Cidade de Itapajé manteve a qualidade de seu desenho urbano, com a arborização e alinhamento das ruas, e criação de várias praças. As novas expansões urbanas na sede municipal, seguiram os eixos das principais vias de acesso, com destaque para o eixo da BR-222, que passou a atrair a população de mais baixa renda para suas margens, bem como o aparecimento de atividades comerciais e industriais. A partir da segunda metade deste século, alguns equipamentos foram responsáveis pela expansão da cidade para fora da zona central, como por exemplo o Patronato São José, construído em 1956, o Hospital Hilda Ibiapina Bastos etc. Outros equipamentos como o Hospital da FUSEC, o Centro Educacional Monsenhor Catão, o estádio de futebol, o mercado novo e os açudes com seu potencial paisagístico e de lazer, contribuíram para que a cidade ultrapassasse as barreiras físicas dos riachos São Francisco e da Raposa, processo que teve início entre as décadas de 40 e 50. Na década de 80, a BR-222 teve seu percurso desviado para resolver os conflitos causados na zona central da cidade. Com isso, a população migrou para as margens da nova rodovia, processo ainda não totalmente consolidado, mas visível e incentivado pela construção de equipamentos públicos como a rodoviária e o Centro Social Urbano, além de clubes e emissoras de rádio, os principais equipamentos e serviços. Atualmente, a zona central de Itapajé ainda conserva um pouco da qualidade do desenho original, com razoável arborização e caixas largas em algumas rua

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